quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ônibus particulares e táxis compartilhados

Desde a nossa chegada em Suðuroy, a mais meridional das Ilhas Faroe, sabíamos que precisávamos resolver como ir embora. Quer dizer: já tínhamos definido que pegaríamos o barco que saía dali a dois dias, às 7 h da manhã. O problema era que o ancoradouro de onde sai o tal barco fica fora da cidade, a uns 5 km de onde estávamos hospedados.
Assim, no dia seguinte, tentamos prestar atenção, mas não parecia haver ônibus que levasse até lá - pelo menos não um ônibus que saísse tão cedo quanto precisávamos. O lugar não é grande, ou pelo menos não é muito povoado - a ilha inteira tem menos de 5 mil habitantes e a cidade, Tvøroyri, não chega a 2 mil (o que torna impressionante o fato de que o barco tenha uma capacidade reportada de 975 passageiros!).
Foi então que, passando pelo centro da cidade, vi um prédio grande da empresa que opera tanto o barco quanto as linhas de ônibus das Ilhas Faroe, e resolvi entrar para pedir informações. Havia uma mulher num escritório a quem expliquei a intenção de tomar o barco das 7 h do dia seguinte e perguntei se haveria um ônibus até lá. Ela, num primeiro instante, respondeu que achava que não havia ônibus tão cedo; depois, pareceu pensar um pouco mais, pediu licença por um instante e foi consultar alguém numa outra sala. Voltou em seguida dizendo que ficássemos tranquilos, que poderíamos pegar o ônibus ali em frente mesmo, às 6h50.
Ficamos mais aliviados, porém não inteiramente satisfeitos. Estávamos com um carro alugado, que iríamos devolver. E então teríamos de caminhar cerca de um quilômetro, com as malas, para pegar o ônibus de manhã cedo. Mas a própria pessoa que nos alugou o carro (sim, o carro foi alugado de uma pessoa, e não de uma empresa!) ofereceu a solução: poderíamos ir dirigindo até o porto. Chegando lá, bastava estacionar o carro e deixar as chaves dentro, que ele iria mais tarde buscar o veículo. Como são simples as coisas nas Ilhas Faroe! Fizemos como ele dizia e, tudo certo, em poucos minutos já estávamos embarcando. No caminho, ainda passamos, de carro, pelo ônibus parado, confirmando que as indicações da moça do escritório tinham sido precisas... Apesar de que não vimos o ônibus saindo (e ele não tinha como sair senão pelo caminho que fizemos). Só então tive a revelação: não havia ônibus regular naquele horário, eles haviam programado um ônibus especialmente para nos levar, para atender ao nosso pedido... Tão óbvio e tão de acordo com o modo como as coisas funcionam nas Ilhas Faroe. E nós, com o pensamento egoísta dos estrangeiros, não percebemos isso nem nos demos ao trabalho de avisar que, afinal, o ônibus não seria mais necessário...
Mas, enfim, partimos e chegamos a Tórshavn, a capital. Lá, curiosamente, teríamos um problema parecido: pegar um ônibus de manhã cedo a tempo de embarcar no nosso voo para o continente. Como Tórshavn é uma cidade maior, seria mais fácil. Vi na tabela de horários um ônibus que saía às 5h50 e chegava no aeroporto às 6h40; um tanto cedo para nosso voo, que saía às 8h15, mas aceitável.
Foi então que acordamos cedo, sem ter direito sequer ao café da manhã do hotel, e fomos até o terminal de ônibus, para encontrá-lo deserto. Esperamos um pouco, mas comecei a me preocupar quando já era mais de 5h50 e nada de ônibus... Nos cartazes do terminal, acabei descobrindo que a falha fora minha: aquele horário só valia de segunda a sexta, e estávamos num sábado!
Como não parecíamos ter alternativa, fui até o ponto de táxi que funcionava ao lado e pedi um táxi; disseram-me que esperasse, que já estava vindo um carro para nos levar ao aeroporto. Aquele ponto era uma espécie de terminal aonde os taxistas vinham comer alguma coisa ou usar o banheiro e, embora houvesse alguns deles por ali, aparentemente não estavam trabalhando ou já tinham outras corridas agendadas. Esperamos, então. Mas os minutos passavam, e nada... Com minha impaciência nem um pouco faroesa, resolvi perguntar novamente pelo táxi. Disseram para esperar só mais um minuto, o motorista acabara de chegar... Perguntei qual era o motorista e a resposta, tão espontânea, não poderia ser mais inusitada: aquele ali fora, de cabelo escuro. Eu olhava e só via gente de cabelos nordicamente loiros e olhos azuis!
Mas enfim achei o motorista (loiríssimo) e embarcamos, depois de ter combinado um preço por pessoa. Dali a pouco, do nada, o carro num hotel para pegar outro passageiro. Fomos entendendo que o táxi para o aeroporto é compartilhado - daí o preço por pessoa.
Chegamos bem e com uma tranquila antecedência para o voo. Para completar, quando já estávamos entrando, vimos chegar uma porção de gente e não tivemos dúvida: o ônibus das 6h50, que chega às 7h45 - tempo suficiente para decolar às 8h15 num país onde tudo é sincronizado e, portanto, o ônibus que poderíamos e deveríamos ter pegado.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Copa é do Mundo

Eu sei que nem o Brasil nem país algum tem obrigação de disputar - que dirá ganhar - todas as finais de Copa do Mundo. Também sei que sempre haverá algum fracasso, e de todos os fracassos algum terá de ser o mais incisivo, e nem por isso ele será motivo de vergonha.
Apesar disso, a derrota para a Alemanha doeu em mim. Doeu e continua doendo como quando a mais inocente das crianças tem de confrontar a realidade.
Eu sei que havia a FIFA, os políticos, os desvios de verba, as obras inacabadas, as promessas mal cumpridas ou não cumpridas. Como sempre houve, com ou sem Copa do Mundo, e não só no Brasil. Mas, dessa vez, havia a Copa, em casa, e um desejo de vivê-la, de receber gente, de acolher visitas. A Copa, no Brasil, seria do Mundo.
E, apesar dos percalços, foi - está - estava - sendo maravilhosa.
Antes mesmo de começar, encontrando e interagindo com visitantes estrangeiros na própria esquina de casa.
E então, primeiro, no Mineirão, estávamos eu e a Jéssica - o plano era estar a Renata também, mas ela é tão competente no trabalho que um convite irrecusável afastou-a de nós e do estádio. Tivemos pelo menos o consolo de um bom provocante (provolone crocante), de um belo jogo e das palavras trocadas com a Renata pelo celular.
Depois, o Beira-Rio, porque nenhum outro estádio seria a minha casa tanto quanto ele.
Em seguida, o Mineirão de novo. O plano agora era nos reunirmos; a Renata veio e o pai dela também, mas a Jéssica não conseguiu decolar de Porto Alegre e acabou sendo a ausência do dia.
Fomos então a Salvador. Local e partida inusitados, entre um desclassificado e outro quase, mas havia o desejo de ver a Bósnia-Herzegovina e torcer por ela. Fomos a caráter; a Renata passou por bósnia na televisão e, juntos, nós dois não tivemos coragem de acabar com a ilusão de quem pensava sermos estrangeiros - posamos para fotos e tudo o mais.
De lá fomos para Pernambuco - no mata-mata que teria uma equipe do "grupo da morte", acabamos vendo justamente a Costa Rica. Mas tudo bem, era Copa do Mundo. Ainda pudemos encontrar amigos no inusitado restaurante Kovačić e, como se não bastasse isso, descobrimos também um grupo de faroeses que ficou espantado com o carinho que tínhamos pelo país deles.
Então, Salvador de novo. Não estava nos planos originais, mas foi o que sobrou como última alternativa para nos reunirmos os três - eu, a Renata e a Jéssica - depois dos desencontros  Belo Horizonte. Deu certo e foi bastante divertido. Afinal, era Copa do Mundo. A Copa do Brasil.
Tudo tão bom, uma rotina tão fora da rotina, pequenas loucuras tão impensáveis (como colecionar copos da Coca-Cola ou embarcar espontaneamente num voo de madrugada) que parecíamos crianças. Numa Copa assim, nada poderia dar errado.
E foi exatamente por isso que a derrota doeu tanto. Não é que eu acreditasse ou idolatrasse desmesuradamente a seleção brasileira. Não é que o futebol seja a coisa mais importante do mundo para mim. Nem se tratava de um desejo febril de vingar o Maracanazo. Acontece que essa Copa, a nossa Copa, eu queria guardá-la com as lembranças boas que ela estava proporcionando. E, de repente, eis que ela ameaçava ficar na memória como a Copa dos sete a um.
Então eu lembrei de quando o Brasil perdeu para a França, em 1986, na primeira lembrança que tenho de uma Copa do Mundo. Naquele dia, eu me recusei a acreditar na derrota e fui para meu quarto brincar - na minha brincadeira, o Brasil era o campeão. Assim, voltando a 2014, percebi que a Copa do Brasil não era uma ilusão, nem apenas um sonho de ver meu país (mais uma vez) campeão. Era a nossa Copa, de tantos gols que vimos ao vivo e pela televisão, de encontros e desencontros, da camisa que ritualmente escolhíamos a cada jogo, da chuva que nos surpreendeu em Salvador, do sorvete que tomamos após a classificação suada nos pênaltis e de pagar promessa pela mesma classificação suada, dos sotaques mineiro, gaúcho, baiano, pernambucano, colombiano, argentino, francês, faroês, bósnio, grego... Era a nossa Copa de todos os sotaques, e que placar conseguiria tirar isso de nós? É a nossa Copa.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Do afrouxamento das normas morais

Aconteceu que iríamos viajar durante o carnaval e o horário do nosso voo era relativamente cedo. Como temos um horário de trabalho flexível (a empresa nos permite sair mais cedo, desde que compensemos as horas não trabalhadas ficando até mais tarde em outro dia), perguntei à Renata sobre sairmos antes do fim do expediente para pegarmos o voo. A resposta:
Venho, por meio de traçadas linhas, dizer que estou em completa concordância com o pleito de deixar meu recinto de trabalho com o sol a pino para levar a efeito a jornada até o campo de pouso e decolagem de aviões com operações de cunho relativo às relações entre nações para nos pormos dentro de uma embarcação ou qualquer outro veículo que nos permita seguir viagem no presente período de três dias de folia que precede a quarta-feira de cinzas, durante o qual, com o afrouxamento das normas morais, se dá o irromper de recalques por meio de danças, cantos, trejeitos, indumentária diversa da habitual, e aos demais dias os quais acrescentaremos ao período referido.
Por essa e por outras, amo essa guria.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Manual prático de como receber visitantes

Entramos na lojinha-sorveteria em Tvøroyri, nas Ilhas Faroe, tentados pelo cartaz que anunciava sorvetes.
Enquanto escolhíamos nossos sabores, entrou outra pessoa que nos cumprimentou e falou mais alguma coisa em feroês. Certamente percebeu nossa hesitação, pois, em seguida, já em inglês, perguntou se éramos estrangeiros. Ao respondermos que sim, ele nos fez o convite com total naturalidade:
– Querem vir comigo visitar um amigo? Estou levando flores para ele. – e apontou para uma sacola de plástico com algumas mudas.
Mesmo já tendo tido antes um bom vislumbre da hospitalidade faroesa, não pudemos deixar de ficarmos surpresos. E de seguir o senhor que nos convidava. Atravessamos a rua e chegamos a uma casa grande, no alto e com mais uma bela vista para o fiorde. O dono da casa se entretinha com flores numa longa jardineira e se levantou para cumprimentar o amigo, que nos apresentou e entregou as mudas que trazia.
Fomos convidados a nos sentarmos de frente para a jardineira e para o mar. Ofereceram chocolates. Depois cerveja. O próprio dono da casa não bebe álcool, mas tem cerveja em casa para as visitas. O amigo reclama que a cerveja está velha, mas não perde a oportunidade de beber. Logo se vê que são amigos de longa data. Pedem à Renata que dê um palpite sobre a idade deles e ela, certeira, acerta: têm 67 anos os dois.
O dono da casa, agora aposentado, foi pescador, o que nas Ilhas Faroe é bastante emblemático. Aliás, ele chegou a comandante de navio pesqueiro. Durante o tempo em que conversamos, ele contou da vida no mar, das viagens de pesca à Groenlândia e de como, após seis meses no mar, voltava para casa sem ser reconhecido pelos próprios filhos. Vida dura a daqueles tempos, mas que parece ter conduzido os dois bem-humorados senhores a uma rotina hoje agradável. A casa tem dois enormes congeladores de tamanho industrial repletos de peixe. Nosso anfitrião entende tudo de barcos, de pesca e, claro, de peixes. Bem como de baleias. “Hoje em dia o Greenpeace vive no nosso pé”, diz ele sobre a controversa caça à baleia tradicional das Ilhas Faroe, e é fascinante sentir, nas palavras e nas histórias dele, o outro lado da moeda, aquele que vai além da pesquisa fácil no Google. Conversamos de tudo um pouco. Do clima, de economia, de costumes. Do costume faroês de se ajudarem mutuamente, algo talvez imprescindível à sobrevivência num ambiente inóspito. E de como aos poucos esse costume vai perdendo força entre as novas gerações, com o dinheiro falando cada vez mais alto.
Não importa: no bom e velho estilo faroês, oferecem-nos bacalhau congelado. Como recusamos, insinuam que podemos ficar para jantar... O que, constrangidos, também recusamos.
Então o dono da casa vem, dali a pouco, com um baita livro de fotografias de pesca e de pescadores. Ele diz que tem dois exemplares do mesmo livro (o que tanto pode ser verdade quanto não...). E nos oferece o livro de presente, de uma forma que ficamos sem argumentos para recusar.
Quando nos despedimos, deixamos a promessa de enviar, pelo correio, sementes de flores brasileiras. Eles estão ansiosos para saber se serão capazes de cultivar, lá, algumas das nossas plantas. Já eu fico pensando se, algum dia, seremos capazes de cultivar com tanta naturalidade uma hospitalidade como a deles.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O dia em que bati bola com uma estrela da seleção

E o bate-bola sequer é a melhor parte da história.
Suđuroy, Ilhas Faroe. Após desembarcarmos, eu e a Renata, tínhamos um caminho de algo mais de um quilômetro até a nossa pousada. Assim, pusemo-nos a andar, arrastando a mala, pela estrada que leva ao centro da cidade. Lá pela metade da distância, um carro que vinha passando parou e ofereceu carona – não a primeira vez que nos ofereciam carona, espontaneamente, nas Ilhas Faroe. Aceitamos de bom grado. Assim que entramos no carro, reparamos que havia uma camisa da seleção brasileira no banco de trás. Quase no mesmo instante, o homem perguntou de onde éramos e...
...e não há como descrever a reação dele ao descobrir que éramos brasileiros. Ficou empolgado, sorria, exclamava e se sacudia – o que era ainda mais dramático porque notamos que tinha mal de Parkinson. Daí começou a falar, ao mesmo tempo que pedia desculpas por não saber muito de inglês (mas entendia uma meia dúzia de outras línguas: feroês, dinamarquês, islandês, sueco e por aí afora). Fã de Pelé. Disse que havia sido jogador do time de futebol da cidade, o Tvøroyrar Bóltfelag (TB), e da seleção faroesa. Não cabia em si de empolgação. “Brasilia! Fantastik! Brasilia!” Perguntou se podia nos levar ao estádio de futebol e, quase que respondendo por nós, cruzou a pequena cidade até chegar no tal estádio. Parou o carro, tirou do porta-malas uma bola de futebol, entrou no campo e me chamou para jogar. Eu não conseguia acreditar, mas estava ali, tentando embaixadinhas e dribles com um ex-jogador faroês (e descobrindo que minhas limitadas habilidades futebolísticas não melhoraram com o tempo) no estádio municipal de Tvøroyri.
Foto de Renata Teixeira
Na verdade, ficamos poucos minutos lá; ele nos convidou para irmos conhecer a casa dele e lá fomos. Nosso anfitrião – cujo nome é Tróndur Nolsøe – mora em uma grande casa de dois andares, com ampla vista para o lindo fiorde em frente, e com toda espécie de relíquias e bugigangas que se pode imaginar, boa parte delas ligada ao futebol: um pôster gigante do Pelé autografado pelo próprio, inúmeras flâmulas e camisas de futebol, álbuns de figurinhas, livros, fotos, bibelôs...
Não duvido de que ele teria passado a tarde toda conosco. Mas lá pelas tantas, após ter mostrado parte do seu museu pessoal, Tróndur se prontificou a nos levar à pousada e só se despediu quando já estávamos bem instalados lá.
Acontece que a história não parou por aí. Mais tarde, estávamos na pousada quando ouvimos alguém chamar – era ele que tinha vindo fazer uma visita. Conversamos, ele catou um baralho e se pôs a fazer mágicas com cartas, em seguida ensinou alguns truques, depois ainda fez um convite para ir pescar – recusei, minha intimidade com pesca consegue ser menor do que minha intimidade com a bola. No final, ofereceu-nos de presente uma pequena bandeira das Ilhas Faroe.
Eu e a Renata estávamos maravilhados, tínhamos anotado o endereço dele e prometido enviar algo (uma camisa da seleção, alguma lembrança do Brasil?), e não nos perdoávamos por não ter nada para oferecer (um par de havaianas, que fosse!). Resolvemos sair e procurar por algo que pudéssemos comprar para ele – mesmo a cidade sendo pequena e as lojas quase inexistentes, já tínhamos reparado que, graças à Copa do Mundo, não era impossível encontrar artigos verde-amarelos em qualquer lugar que fosse. Acabamos comprando a Brazuca, a bola da Copa. E fomos até a casa dele para retribuir as gentilezas do dia anterior.
Tróndur ficou eufórico quando nos viu, convidou-nos para entrar, ofereceu chá, bolo, doces, balas. Trouxe um presente: uma pedra arredondada, comum na região, em que ele mesmo pintou a bandeira brasileira. Sentamo-nos no sofá do andar de cima, que tem as enormes janelas com a vista para Tvøroyri, uma grande televisão, vasos e mesa de vidro. Tróndur não cabia em si, desceu e voltou com a bola que havia ganho de presente e pediu que eu a autografasse! Após, começou a fazer embaixadinhas no meio da sala – ele, com Parkinson, no meio daquele universo de coisas quebráveis! E conversava, falava da esposa, dos filhos já crescidos, do trabalho e de futebol.
Despedimo-nos. Para quê! Não deu meia hora, lá estava nosso novo amigo nos procurando na pousada. Vinha trazer mais presentes: um livro sobre o Tvøroyrar Bóltfelag, desenhos feitos por ele e meias de lã (legítima lã faroesa!) feitas pela mãe dele. Ah! Como não ficar encantado e sem graça depois de tudo isso?

sábado, 7 de junho de 2014

Quando aparências enganam

Alguns países desafiam o nosso senso comum quando procuramos por um produto ou serviço específico. Definitivamente, as aparências enganam.
Nossa intenção era trocar o dinheiro por coroas em um banco assim que chegássemos à Dinamarca (afinal, graças à criatividade duvidosa de nossos legisladores, somos obrigados a carregar dinheiro vivo quando viajamos, enquanto o resto do mundo usa cartão). Mas perdemos o horário bancário em Billund, então deixamos para fazer o câmbio em Tórshavn.
Ao desembarcar em Tórshavn, numa quinta-feira, chegamos a procurar um banco, e ainda atribuímos o fato de estarem todos fechados a uma hipotética sesta, para só depois descobrir que era feriado nacional (Dia da Ascensão).
Esperamos então pela sexta-feira. Nesse dia, o plano era alugar um carro e sair dirigindo pelo arquipélago. Fácil, então: na primeira cidade que passássemos, após as 10 h, procuraríamos um banco com o auxílio do GPS (na verdade, de um aplicativo para celular, pois o programa original do GPS simplesmente ignora a existência das Ilhas Faroe!).
Dito e feito: entramos em Kollafjørđur, onde o aplicativo apontava a existência de dois bancos, e fomos até o primeiro deles. Como é comum nas Ilhas Faroe, o prédio era absolutamente igual a todos os outros, sem nenhum letreiro aparente, a não ser pelo horário de funcionamento afixado na porta - fechada. Uma mulher fumava do lado de fora. Deduzimos que a única funcionária tinha saído para fumar, então perguntamos a ela se estava aberto, ao que ela respondeu que não sabia - obviamente não se tratava de uma funcionária. Mas, prestativa, apontou para um cartaz com um número de telefone e se ofereceu para ligar e contatar a pessoa responsável. Agradecemos a boa vontade e nos prontificamos a esperar.
Enquanto a mulher ligava e começava a falar em feroês com alguém do outro lado da linha, espiei pela janela da agência. Chamei a Renata:
- Isso não é um banco...
E ela:
- Claro que é, o cartaz até diz o horário de funcionamento!
Eu repliquei:
- Olha lá dentro!
E, pela janela, ela viu o mesmo que eu: uma porção de cremes de cabelo. E uma placa que, mesmo em feroês - "Salong Hár" - não deixava dúvidas de que estávamos em frente a um salão de beleza.
E, dando a volta na casa, descobrimos o motivo do nosso erro: um simples caixa eletrônico, inútil para nós, até o qual o GPS havia nos guiado.
Entreolhamo-nos, sem graça, como quem pergunta: quem vai explicar para a mulher tão prestativa, que já está no meio da ligação?
Acontece que a própria mulher se virou para nós dizendo que a dona do salão estava em viagem na Dinamarca. Continuou explicando quando a tal dona voltava, mas mal sabia ela que, a essa altura, aliviados, nem prestávamos mais atenção!
Voltamos ao carro e seguimos viagem até Klaksvík, cidade maior onde tínhamos mais chances de encontrar uma agência de verdade. Mesmo assim, só pudemos ter certeza de que havíamos encontrado ao sair da agência já com as notas de coroas faroesas na mão, pois o banco não se parece nem um pouco com o que estamos acostumados. Nada de seguranças, detetores de metal ou portas giratórias. É uma simples construção de madeira. Entra-se e há uma mesa com café e bolachas para os clientes. Mesas e arquivos que lembram um escritório. Ressabiado, procurei indícios que pudessem me garantir que eu estava em uma agência bancária. Mas havia dois caixas atendendo, e uma pessoa esperando no que não chegava a ser uma fila. Juntei-me a ela e logo fui atendido, com a simpatia típica daqui e que, junto com a tranquilidade de se poder fazer um banco simples como aquele, não tem preço.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Noivos!

Le Louis XV, de Alain Ducasse, é certamente um dos restaurantes mais bem-conceituados do mundo. Um jantar lá seria algo assim como um sonho distante. Até que começamos a planejar a viagem a Mônaco, onde fica o restaurante. Mas coragem para se aventurar no Le Louis XV, e sorte de conseguir uma reserva na semana do Grande Prêmio de Mônaco, também parecia ser algo distante.
Até eu pensar "por que não?" e entrar em contato com eles. De repente, não é que tínhamos uma reserva para Le Louis XV? Então o sonho começou de verdade.
Afinal, seria a ocasião perfeita para oficializar nossa união, não é mesmo?
Nem vou contar como foi escolher um anel de noivado, acertar o tamanho dele e buscá-lo na H.Stern na manhã do próprio dia em que seria a tua defesa de mestrado e também o nosso voo para a Europa. Mas as coisas seguiram dentro do planejado!
De acordo com a etiqueta do restaurante, levei terno e gravata, traje completo para a nossa noite, e passando em Andorra, não foi por acaso que acabei comprando o mais chique dos relógios - eu queria estar impecável em todos os detalhes! Assim como acompanhava a tua expectativa, a tua escolha de roupas e acessórios...
No dia, prontos para sair para o restaurante, testei todos os bolsos que eu tinha para tentar ver em qual deles conseguiria esconder a caixinha com o anel. Parecia-me impossível que não percebesses, ainda mais quando quiseste tirar uma foto nossa a caminho do restaurante! Mas não reparaste no volume que eu tentava esconder...
Antes de sair do Brasil, não sabias que eu tinha telefonado para Mônaco, a princípio para reconfirmar a reserva, mas também para falar sobre um marriage proposal. Acertei tudo, eu deveria procurar um certo Michel e entregar o anel para que ele cuidasse do resto.
Daí que, enquanto saboreávamos cada um dos nossos inesquecíveis pratos - o couvert, o amuse-bouche (ou amansa-bucho, como gostamos de brincar) de vegetais com pequenos peixes (seriam enguias?), a sopa, os aspargos, les jardins de Provence com trufas negras... enquanto saboreávamos cada momento, eu procurava a ocasião de te distrair e chamar um dos garçons. Quando quiseste ir ao banheiro, agradeci intimamente. Tu te levantaste da mesa e eu procurei um garçom com os olhos, mas antes mesmo de conseguir contato visual já havia alguém do meu lado, com toda a elegância e discrição que o momento pedia, e me dizia: "I am Michel, monsieur, do you have anything for me?" Rapidamente passei o anel, juntamente com um bilhete. Ele fez um sinal positivo com a cabeça e saiu discretamente, para ainda voltar duas vezes - na primeira, dizendo que eu ficasse tranquilo, pois estava tudo certo e, na segunda, para me parabenizar e desejar boa sorte.
Voltaste à mesa e seguimos em direção ao grand finale. Os inesquecíveis raviólis com morels. Em seguida viriam as sobremesas que pedíramos.
Então trouxeram uma bandeja coberta com uma redoma de ouro! e a puseram na tua frente. "Un cadeau tout spécial pour le madame!" E, confessaste depois, chegaste a pensar que tua sobremesa estava em falta e estavam trazendo alguma compensação. Eu estava nervoso, admito. Ainda mais porque - indo além do combinado, mas seguindo o roteiro mais tradicional possível - de repente arredaram a mesinha e colocaram uma almofada no chão, ao teu lado. Não tive escolha e não precisei pensar. Num instante estavas descobrindo a bandeja, para achar lá dentro o teu anel envolto em pétalas de rosa e o meu bilhete onde digo para sermos, nós dois, um só. No instante seguinte olhas para o lado, estou de joelhos e seguro tua mão. Rimos e sorrimos. Então nos beijamos e ouvimos as palmas de todo o restaurante.
E que todo o resto da vida tenha esse sabor da mais deliciosa das nossas sobremesas. Te amo, Renata.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um ginásio nos Pirineus

Prefiro conhecer poucos países de cada vez, acredito que isso me dá mais chances de apreciar a cultura local sem ficar "pingando" de um lado a outro. Apesar disso, planejamos a viagem incluindo cinco (ou seis) países: Espanha, Andorra, França, Mônaco, Dinamarca e Ilhas Faroe. Acontece que, quando se visita lugares pequenos como Andorra, Mônaco e as Ilhas Faroe, é literalmente impossível fazê-lo sem passsar antes por algum outro país.
E o roteiro, no final das contas, foi bem agradável e rendeu até algumas surpresas.
Em Andorra - um micropaís nos Pirineus, entre a Espanha e a França - reparei em cartazes nos postes que anunciavam o IHF Trophy 2014, um torneio de handebol sub-20 que começaria exatamente durante nossa estada. Tive a sorte de lembrar de procurar informações no Google sobre esse torneio (o que não foi tão fácil, pois não havia sequer uma página oficial) e descobri que, dentre as oito seleções participantes, estava a das nossas queridas Ilhas Faroe. Ora, como iríamos visitá-las em seguida, eu e a Renata tínhamos a camisa da seleção e, como se não bastasse, o nosso Puffin "emigrado" de lá! Claro que resolvemos ver o primeiro jogo, que seria contra o Azerbaijão.
A preliminar foi Moldávia e Reino Unido, uma partida veloz que os moldavos venceram com uma moderada vantagem. Prestes a começar a partida seguinte, reparamos que os jogadores faroeses pareciam crianças inocentes perto dos demais, grandes e barbados. Começamos a temer pela sorte deles, e o temor se acentuou ainda mais quando soou o apito inicial e vimos que o toque de bola faroês era bem mais lento que o do jogo anterior.
Nesse meio tempo, estávamos nas arquibancadas eu e a Renata de camisas faroesas, além do Puffin com suas penas faroesas. Acho que os únicos outros presentes eram os membros da seleção técnica e, sendo assim, é claro que acabamos chamando a atenção...
Alguém veio perguntar se éramos faroeses. Respondemos contando rapidamente nossa história. Dali a pouco, veio outro, tirou uma foto nossa, entrevistou-nos, e disse que publicaria a história no Facebook deles. Em seguida, voltou o primeiro, munido de câmera e microfone, e nos entrevistou para a rádio-televisão faroesa. Estávamos gastando com louvor nossos 15 min de fama!
O que poderia ser melhor? Contra nossos temores iniciais, as Ilhas Faroe dominaram a partida e venceram por 43 a 12. Saímos do ginásio exultantes e prometendo torcer por eles até o final (pelo menos à distância, já que não teríamos mais tempo em Andorra para acompanhar o torneio). E não é que os guris foram campeões, vencendo todos os seus cinco jogos? Nossa alegria só não foi maior que a do Puffin, que dava voltas e voltas pelo ar!

sábado, 10 de maio de 2014

Pé na Tábua, a Corrida de Calhambeques


por Eduardo Trindade e Renata Teixeira

Quando queremos dizer “acelera!”, “mais rápido!”, “depressa!”, temos uma expressão bem conhecida: “pé na tábua!” O que poucos imaginam – mas que nós, entusiastas de carros antigos, sabemos bem – é de onde nasceu essa expressão. Afinal, nossos queridos antigos clássicos possuem o assoalho de madeira e, quando queremos ir mais rápido, fazemos exatamente isso: metemos o “pé na tábua”, pressionando o acelerador até o assoalho!
Bem, estamos em 2014 e a maioria dos carros não possui mais o fundo de madeira, mas nós ainda continuamos colocando o pé na tábua de nossas adoradas máquinas. Pelo quarto ano consecutivo, veículos construídos até 1936 se reuniram na cidade de Franca, no interior de São Paulo, para fazer o mais inusitado e divertido evento de carros clássicos do Brasil – talvez de toda a América do Sul? Ou do Hemisfério Sul?
O que torna o evento único é o fato de não ser apenas uma exibição, nem apenas uma parada ou um simples encontro. É uma corrida – a Corrida de Calhambeques Pé na Tábua – disputada em um verdadeiro autódromo, entre verdadeiros carros antigos. Competem diferentes categorias:
· Ford Modelo A, a que tem o maior número de participantes;
· Speed, para carros de corrida com preparação original da época;
· Transplantados, para hot rods;
· Motocicletas, para aqueles em duas rodas;
· Miscelânea, para outros carros construídos até 1936: Ford Modelo T, Ford Modelo B, Chevrolet, Buick, DeSoto, e por aí vai.
Cada categoria tem suas atrações e seus fãs. Entre os corredores da categoria Speed, temos Nelson Piquet, o tricampeão mundial de Fórmula 1. Seu filho compete na categoria Transplantados. Entretanto, a maior diversão talvez não esteja entre os pilotos profissionais, mas com os amadores que esperam o ano inteiro pela oportunidade de entrar na pista. E nós estávamos entre estes, com certeza!
Nosso carro é um Ford Modelo A Tudor de 1931. É um carro de passeio, não apenas de exposições, e tão original quanto possível – temos restituído a sua originalidade desde que o compramos, em 2012. Bem, não somos pilotos profissionais; foi a primeira vez que fomos a um autódromo como competidores em vez de espectadores. E, acreditem, foi um fim de semana incrível!
Na manhã de sábado, assim que o sol saiu, chegamos ao autódromo. Hora de adesivar o carro. Iríamos competir com o número 31, escolhido por ser esse o ano de nosso Fordinho. Adesivos colocados, hora de assumir nossa posição nos boxes. Nesse momento, surge um problema: não conseguimos dar a partida no carro. Mas é apenas um pequeno contratempo que nos mostra o quão amigável é o clima por lá: somos cercados por gente querendo ajudar e pronto! Motor funcionando, fomos para os boxes excitados pela atmosfera de todos aqueles belos carros e, mais que isso, excitados por fazer parte do evento.
Logo a pista é aberta e vamos para nossa volta de reconhecimento. Não importa se a intenção era uma primeira volta lenta e conservadora; ficamos realmente entusiasmados e, quando nos demos conta, ainda na primeira curva, o pensamento era “entramos rápido demais!” Mas nosso Fordinho se comportou bravamente. A cada curva, íamos ficando mais confiantes e o carro ia mais rápido. Pé na tábua! Assim o dia foi dedicado aos treinos livres e classificatórios, com algum tempo livre que aproveitamos para circular, ver os outros carros e conversar com os colegas competidores – muitos deles usando, como nós, o tradicional gorro de couro. Lá estava a Família Gabarra, com três gerações de competidores. Lá estava Ronaldo Topete, que conquistou a pole position da categoria Speed, batendo Nelson Piquet, e quase derrotando o tricampeão na corrida. E lá estava também o entusiasmo de Tiago Songa, organizador do evento, sacudindo a bandeira quadriculada ao final de cada corrida.
E domingo foi o grande dia. É difícil descrever o que sentimos enquanto tomávamos nosso lugar no grid de largada. Estávamos prestes a pilotar nosso Fordinho de 1931 numa corrida de verdade! Medo, felicidade, coragem, tudo misturado. Motores ligados! Os primeiros metros já nos mostraram a emoção que estava por vir. Para sermos sinceros, devemos dizer que não fizemos uma grande largada. Mas logo recuperamos nossa posição ao fazermos uma bela ultrapassagem na segunda curva. E seguimos, cantando pneus, corrida afora! Durou apenas cerca de 10 minutos, mas foram minutos inesquecíveis.
Assim como foram inesquecíveis as pessoas que conhecemos. Depois de nossa corrida, tivemos tempo para interagir e assistir às demais categorias. E o evento não se resumiu apenas às corridas de velocidade. Havia também a categoria de Marcha Lenta, uma tradicional competição em que o vencedor é o competidor mais lento. Nessa categoria, o piloto caminha ao lado do carro, controlando sua velocidade pelo “bigode” – o objetivo é ir tão devagar quanto possível sem deixar o carro morrer.
Ao final do dia, tristes, percebemos que já era hora de voltar para casa. Não é fácil pensar que teremos de esperar todo um ano pela próxima edição. Mas, por outro lado, isso significa que teremos tempo de preparar nosso carro – alguma restauração adicional, algum treino e... 2015, aí vamos nós, pé na tábua!

Originalmente publicado em inglês em: TRINDADE, E.; TEIXEIRA, R. Behind the wheel: Brazilian jalopy racing. The Restorer, v. 59, n. 1, Maio/Jun., p. 28-30, 2014.




sábado, 14 de dezembro de 2013

O acendedor de lampiões

Esse aí, disse para si o principezinho, ao prosseguir a viagem para mais longe, esse aí seria desprezado por todos os outros, o rei, o vaidoso, o beberrão, o homem de negócios. No entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio.

O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry



Justamente como se passou com o Pequeno Príncipe, é inevitável que encontremos surpresas inusitadas ao andar por aí. Dar de cara com o inesperado é uma das partes gratificantes de visitar outros lugares.
A minha história aconteceu no centro de Zagreb, capital da Croácia, num final de tarde. Justamente naquela hora do lusco-fusco em que o dia começa a virar noite. Reparei num homem que caminhava decidido com uma espécie de longo bastão nas mãos.  No primeiro momento, não entendi do que se tratava, e por isso mesmo (curioso que sou) aquilo chamou minha atenção. O homem percorria as ruas com passo rápido, ia de um poste a outro com o tal bastão...
De repente me veio o estalo. Mas não pode ser!... Esfreguei os olhos, olhei novamente e não havia mais espaço para dúvida: um acendedor de lampiões.
Aquele homem era um acendedor de lampiões!
E daí foi impossível não lembrar do Pequeno Príncipe.
Ele ia de poste em poste, levava a ponta do bastão ao topo do poste e assim ia acendendo a luz dos lampiões a gás que iluminam o centro da cidade.
Meu primeiro impulso foi conversar  com o acendedor de lampiões. Mas então me ocorreu que eu não sabia bem o que dizer; além disso, o homem estava trabalhando e talvez não gostasse de ser interrompido. E mais ainda: ele caminhava bem rápido!
Apertei o passo decidido, pelo menos, a segui-lo. Eu não queria perder de vista aquela tarefa tão incomum, fadada à extinção no resto do globo. E queria ter a oportunidade de registrar alguma foto.
Bem, fotografá-lo foi mais difícil do que eu gostaria. Não só porque o acendedor de lampiões não parava um instante sequer, mas também porque obviamente a luz do dia já estava indo embora. Isso significou, infelizmente, fotos tremidas. Mas que valem pelo registro.
Claro que, passada a epifania, fui pesquisar. Zagreb é uma das raras (mas não a única) a ter lampiões a gás e respectivos acendedores de lampiões como parte do sistema de iluminação pública. Em Zagreb, são pouco mais de 200 lampiões a gás, todos na parte central da cidade, que duas pessoas levam menos de duas horas para acender (no final da tarde) ou apagar (pela manhã). E que, inegavelmente, dão um pouco mais de charme à capital.