segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Guia Puffin de Gastronomia 2019

É chegada a hora de degustar a leitura mais saborosa do ano: o Guia Puffin de Gastronomia! Sempre com o desafio de listar os melhores restaurantes do ano anterior. 
Guia Puffin de Gastronomia distribui entre uma e três enguias para os estabelecimentos que proporcionaram as mais excepcionais experiências gastronômicas - não só a comida, mas também o atendimento, o ambiente, enfim, a experiência completa. Seguindo mesmo o critério das edições anteriores, restaurantes listados nos outros anos (201520162017 e 2018) ficam de fora para, assim, dar mais espaço às novas descobertas.
À primeira vista, 2018 foi um ano triste para o Guia Puffin (assim como foi em outros aspectos): nenhum novo restaurante conseguiu a classificação máxima de 3 enguias, reservada a experiências realmente extraordinárias, e pelo menos duas casas premiadas fecharam suas portas (e cozinhas): Tête à Tête e Oui Oui. Deixarão saudades. Menos mal que, por outro lado, novas descobertas, algumas surpreendentes, vieram se juntar ao mar de enguias. Então vamos lá: com vocês, o novo Guia Puffin de Gastronomia!

360, Toronto (Canadá) - 1 enguia
Trata-se de um restaurante que a princípio atrai, provavelmente, mais pela localização que pelo cardápio. Afinal, ele está situado no alto da CN Tower, uma torre de observação que já foi a estrutura mais alta do mundo e ainda é considerada a mais alta do hemisfério ocidental. Isso posto, é claro que a vista do topo, seja no andar giratório do restaurante ou no andar de observação logo acima, tende a roubar a cena. A comida é boa e bem servida, mas sem ser espetacular. Destaca-se o colorido dos pratos, belamente apresentados e combinando uma boa variedade de ingredientes. Uma pena que, em alguns momentos, a principal vantagem do restaurante seja também sua desvantagem: sendo (ou estando em) uma atração turística, é frequentado por grupos barulhentos que roubam a calma que a ocasião merece e que, noutro lugar, tornaria a experiência realmente inesquecível.


Ino., Rio de Janeiro - 1 enguia
Para quem procura pratos saborosos sem muitas experimentações (ou só algumas, vá lá), o Ino é uma excelente indicação. Serve pratos de inspiração italiana bem elaborados e, assim, consegue agradar facilmente. É um restaurante que entende e atende seu público. Uma pena que alguns pratos dêem a impressão de serem mais bem-servidos que outros (o que pode causar alguma inveja entre os comensais!) e que algumas mesas sejam próximas demais entre si, atrapalhando o clima de quem prefere um ambiente sem ficar ouvindo a conversa de estranhos ao seu redor. Tudo somado, porém, o restaurante cumpre o que promete e convida a voltar uma e mais vezes.


Remanso do Bosque, Belém - 1 enguia
O simples fato de estar situado no Pará, terra em que sobejam ingredientes únicos, já faz com que a expectativa seja alta em torno do Remanso do Bosque. A experiência é recompensada quando se descobre que a riquíssima oferta da Amazônia está presente e tratada com o cuidado que merece, seja em versões clássicas ou em combinações mais inovadoras. Tudo é um convite a mergulhar no cupuaçu, no taperebá, no tucupi, nos peixes amazônicos, nos produtos marajoaras... Paradoxalmente, o desejo é de que os pratos fossem menores, como num menu degustação: a oferta é tanta e tão variada que é uma pena conseguir provar apenas um ou dois deles. A saída é procurar voltar.


Chez Claude, Rio de Janeiro - 1 enguia
A família Troisgros é frequentadora assídua do Guia Puffin, e com mérito. Acontece que, depois que Claude Troisgros passou a cozinha do Olympe para seu filho Thomas, tínhamos ficado todos um pouco órfãos, mesmo que um pouco sem sentido, afinal o Olympe não perdeu qualidade. Mas a chegada do Chez Claude à cena gastronômica resolve isso. É claramente um ambiente e uma apresentação mais simples que na outra casa, mas o cuidado com os pratos e o saber inconfundível estão presentes, assim como a simpatia do chef. De quebra, pode-se reconhecer algumas receitas clássicas do Olympe no cardápio do Chez Claude - um convite tanto a velhos admiradores quanto a novos frequentadores.

Oteque, Rio de Janeiro - 2 enguias
Diretamente das mãos do chef paranaense Alberto Landgraf, o Oteque abriu as portas em 2018 em grande estilo, já de cara conquistando seu lugar no Guia Puffin. Não é para menos, pois sua seleção de ingredientes frescos e de primeira qualidade tratados com esmero é digna de nota, assim como a simpatia dos atendentes e cozinheiros. O excelente menu degustação envereda por diferentes peixes e frutos do mar, mas não se restringe a eles, e a alternativa vegetariana não parece ficar para trás em nenhum aspecto. De quebra, o salão amplo com vista para a cozinha é belíssimo.






Toqué!, Montréal (Canadá) - 2 enguias
Se é que se pode falar de um clássico contemporâneo, essa é uma descrição bem aplicável a este restaurante. Explicando melhor: a gastronomia do Canadá (e particularmente do Québec) que ele representa não tem muitos traços marcantes que a distinguam do padrão geral da cultura ocidental. E, no entanto, ela encontra no Toqué! uma expressão bastante abrangente, elegante e saborosa desta tradição. E com direito, no final das contas, a proporcionar uma delicada imersão na comida canadense: uma cozinha confortável, feita de ingredientes americanos trabalhados com técnicas de origem europeia.



La Yeon, Seul (Coreia do Sul) - 2 enguias
A gastronomia coreana, tão pouco conhecida no Brasil, é incrivelmente saborosa. E nada melhor do que desfrutá-la em grande estilo, num banquete grandioso e com direito a uma ampla vista da capital sul-coreana. Restaurantes em hotéis tendem a ser um tanto impessoais mas, no caso do La Yeon, é impossível não se sentir bem acolhido. Ora as porções se sucedem, ora se sobrepõem elegantemente. Em dado momento, como é típico de não poucas receitas coreanas, os pratos são finalizados à mesa por nós mesmos. Imperdível.



Gastronomia de Pyongyang (Coreia do Norte) - prêmio especial
Sem dúvida a grande surpresa do ano e digna de uma menção especial do Guia Puffin é a comida na Coreia do Norte, aqui representada pela sua capital Pyongyang. São preparações simples, mas de sabor único, que chegam à mesa em sequências que parecem intermináveis. Receber bem, para os coreanos, parece ser sinônimo de fartura à mesa - algo tocante para um povo tão incrivelmente simpático e tão sofrido. Mesmo quando a descrição do prato parece pouco tentadora (uma sopa de macarrão fria, por exemplo, é o prato típico da cidade), o resultado é sempre algo surpreendente. Uma experiência inesquecível e um ótimo exemplo do quanto a (boa) comida pode unir pessoas.

Um comentário:

rejane disse...

Muito bom! Fiquei querendo uma descrição dos pratos ��