quinta-feira, 14 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A menina da ria
Para começar, ela é banhada não por um rio, mas por uma ria - assim chamam uma espécie de lagoa-estuário nesta região do país.
Aveiro é elegantemente feminina quando se veste de pontes a cruzar seus braços. É languidamente feminina quando se estende em canais de água. É suavemente devota no convento onde viveu Santa Joana. E é saborosamente familiar quando oferece aos visitantes seus doces de ovos moles.
Nossa visita foi curta, mas suficiente para apreciar um pouco disto tudo, como numa espécie de degustação. E ainda tivemos tempo para ir à vizinha Costa Nova, um lugarejo à beira mar e à beira ria... Costa Nova de casas coloridas e listradas. Vibrantes como as cores dos próprios barcos que percorrem esta região.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Hospitalidade portuguesa, com certeza
Porém, no caso, isto ainda não é tudo. Se as viagens são feitas de lugares, são mais ainda feitas de pessoas. Pois tivemos a felicidade de uma recepção primorosa no Porto. Marta e Pedro, eu já desconfiava que iria encontrar pessoas simpáticas, mas vocês conseguiram superar minhas expectativas! O coração ficou um tanto mais português (e portuense) com o carinho de vocês, as atenções redobradas, as conversas saborosas, o bacalhau indescritível...
Ah, e o azeite de oliva em tudo: será que alguém no Brasil consegue imaginar o que é uma garrafa de 5 L de azeite de oliva e a velocidade com que se consome uma garrafa destas, de tão generalizado que é seu uso?
Ah, os amigos que deixamos no norte de Portugal: o vinho do Porto que levamos terá o sabor destas lembranças!
sábado, 9 de maio de 2009
Fragmentos de conversas açorianas
(Qualquer açoriano sobre qualquer vista de sua ilha.)
- Por que tantos muros de pedra?
- Temos muitas pedras, é preciso usá-las de alguma maneira, para dar espaço à terra onde plantar...
- Já foram ao Peter?
(No Faial, sobre o café que é parada obrigatória.)
- Maio ainda dá capote aos marinheiros.
(Numa região de ventos imprevisíveis, o aviso de que a primavera chegou mas ainda não se firmou.)
- Com licença, era o senhor que estava caminhando na rua ontem à noite, durante minha aula de música?
(Numa ilha em que todos se conhecem e as ruas ficam desertas quando cai a tarde.)
- Não há um açougue na ilha?
- Talho? Não temos. Cada um de nós cria suas próprias vacas. Aqui é um lugar diferente de qualquer outro. É preciso saber viver no Corvo.
- Hoje aqui, amanhã também...
(Suave resignação com o isolamento da ilha.)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Bom dia, Corvo!
O lugar é uma minúscula vila inacreditavelmente parada no tempo. Ruelas que parecem medievais habitadas pelos corvinos juntamente com suas criações de porcos, galinhas, cães... Moinhos de vento que encantariam D. Quixote. E essas pessoas que parecem conhecer uns aos outros e nos cumprimentam sempre, na rua, com um bom-dia ou boa-tarde. O dono da pousada foi nos buscar no aeroporto - sem aviso prévio, eu sequer informara que chegaria naquele avião. Acomodou-nos um tanto improvisados em sua velha caminhonete Ford e nos trouxe até aqui: o Comodoro, a única pousada da ilha, surpreendentemente moderna e confortável.
Vínhamos cogitando que os Açores são uma espécie de país em miniatura. Pois o Corvo é uma miniatura dos Açores, uma miniatura primorosa.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Terra e água, as pedras e o mar
Os açorianos são, como não podia deixar de ser, um povo dividido entre a terra e o mar. E o que mais chama a atenção é a maneira como as pessoas se relacionam com o seu meio em cada uma das ilhas.
Na ilha Terceira, são voltados completamente para a terra. Criam gado e cultivam o solo. Terra de origem vulcânica, dividida em pequenos lotes or pitorescos muros de pedra. Quem quiser conhecer a Terceira, com sua curiosa alma vulcânica, tome o táxi do sr. Aurélio e ele contará todas as histórias que conhece.
Vá depois ao Faial, outra das ilhas. O contraste com as demais se dá na forma como os faialenses abrem os braços para o mar. Os barcos ancorados e o café do Peter recebem quem chega. E a arte tradicional da ilha é feita, vejam só, em dentes de cachalote!
A frase que repetem por aqui não é exagero: cada ilha é diferente, cada uma tem suas particularidades e encantos.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Alguém aí já visitou a cratera de um vulcão?
Isto faz com que as ilhas tenham uma geografia realmente linda e incomum! A cratera que visitamos ontem (Sete Cidades) é realmente grande: engloba uma vila encantadora, que parece perdida no tempo e no espaço; mais ainda, contém lagoas de cores indescritíveis. Imaginem, por exemplo, uma lagoa em forma de oito onde metade é verde e metade é azul... Cores que as fotos, por melhores que sejam, terão dificuldade para mostrar...
Enfim: eses 'loucos' açorianos vivem num lugar... único!
domingo, 3 de maio de 2009
"Estes simpáticos malucos"
Malucos? No melhor dos sentidos. Se Asterix e Obelix cá viessem, também diriam, com a melhor das intenções: estes açorianos são doidos! Bem, eu particularmente adoro uma pitada de sandice assim: gente que vive em ilhas isoladas do resto do mundo, que fala uma língua tão parecida e tão diferente da nossa, que constrói suas casas com pedras vulcânicas, cozinha usando o calor da terra, enfrenta tremores de terra, enfrenta o mar, convive com baleias, aves, vacas... E enchendo a boca para falar de sua terra. Cativante.
Ontem, enquanto passávamos os olhos por uma lojinha, começamos a conversar com a moça que lá trabalhava. Mais que uma aula do sotaque açoriano (que já está parecendo mais compreensível), ganhamos várias dicas sobre as ilhas e uma conversa bastante simpática. Ah, estes simpáticos açorianos!
Susete - a moça da loja - falou dos moinhos de vento, contou histórias, lembrou Ne(p)tuno... E falamos de viagens e lugares, ela contou de sua Ribeira Grande, nós de nosso Brasil... Alô, Minas Gerais, Susete tem parentes aí! Laços que para alguns parecem pouco, mas que vão construindo um belo mosaico. Não esqueceremos tão cedo da fotografia de uma onda quebrando na costa e formando a imagem perfeita do perfil de Netuno, nem esqueceremos que a cavalgada da Ribeira Grande acontece no dia de São Pedro. Algumas das histórias de ontem. Mas não, Susete, eu não sabia nada disso antes, realmente foi apenas um exercício de prestar atenção às imagens, às datas e às palavras. Se o restante das ilhas oferecer uma recepção assim tão simpática, estaremos bem servidos.
E se puderes visitar teus parentes em Minas, não duvido de que será uma viagem inesquecível como esta que estamos fazendo!
sábado, 2 de maio de 2009
O idioma dos Açores
Aqui, o dia foi de caminhar pela cidade, experimentar o ar ilhéu, acostumar-se a ele. A cidade é muito bonita. Acabamos deixando para amanhã a exploração dos arredores de Ponta Delgada (a principal cidade), que deverá ser de muito mais contato com a natureza.
Agora, chama a atenção o modo de falar, o sotaque açoriano! Quando falam diretamente conosco, em geral, eu entendo (embora tenha tido uma ou outra dificuldade e minha mãe tenha pedido várias vezes para a pessoa repetir o que dizia!). Mas, quando "pescamos" alguma conversa na rua, entre pessoas da terra, é algo simplesmente incompreensível! Como se via bastante aqui, de vez em quando parávamos, curiosos, tentando identificar: que língua será esta que estão falando? Não raro acabávamos nos dando conta de que era apenas português... o português dos Açores!





