sábado, 9 de maio de 2009

Fragmentos de conversas açorianas

- É bonito!
(Qualquer açoriano sobre qualquer vista de sua ilha.)

- Por que tantos muros de pedra?
- Temos muitas pedras, é preciso usá-las de alguma maneira, para dar espaço à terra onde plantar...

- Já foram ao Peter?
(No Faial, sobre o café que é parada obrigatória.)

- Maio ainda dá capote aos marinheiros.
(Numa região de ventos imprevisíveis, o aviso de que a primavera chegou mas ainda não se firmou.)

- Com licença, era o senhor que estava caminhando na rua ontem à noite, durante minha aula de música?
(Numa ilha em que todos se conhecem e as ruas ficam desertas quando cai a tarde.)

- Não há um açougue na ilha?
- Talho? Não temos. Cada um de nós cria suas próprias vacas. Aqui é um lugar diferente de qualquer outro. É preciso saber viver no Corvo.

- Hoje aqui, amanhã também...
(Suave resignação com o isolamento da ilha.)

5 comentários:

Marta disse...

Delicioso, Eduardo!
:)

Rouxinol disse...

Cidadezinha qualquer
(Drummond)

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Dani Santos disse...

Ah, que bom encontrar esses retratos de mundos outros. Mundos daí, de lá. Histórias e paisagens, janelas e outras luas.

Abraço grande a ti, Eduardo, e que ventos bons estejam sempre a soprar em teus caminhos.

Irene Abreu disse...

Olá Eduardo!
Já há muito tempo que não o visitava e hoje tive a maior e a mais agradável das surpresas: esta sua viagem pelos Açores, que eu já ando há imensos anos para a fazer e que nunca consigo, porque tenho sempre imensas coisas a tratar quando vou de férias a Portugal, mas, através de si, sinto que estou em todos os lugares que descreve, tal é a precisão emotiva com olha para tudo o que o rodeia.
Obrigada pela partilha. A continuação de boa viagem e vou continuar a viajar através de si.
ABRAÇO.

Neotenia disse...

Adorei a história das pedras...