sábado, 28 de maio de 2011

Na praia, no Adriático

A Croácia tem paisagens de tal maneira incríveis que parece estranho não termos muita noção disto no Brasil. Apesar de relativamente pequeno, o país tem cenários diversos e agradáveis: montanhas verdes, um litoral bastante recortado com inúmeras ilhas também verdes e um mar que só não é mais verde porque às vezes é de um azul límpido.
Sendo assim, um dos principais atrativos desta região da Europa é o mar, seja para navegar, velejar, olhar ou se banhar. Fui a Opatija, um balneário pequeno e agradável perto de onde estou hospedado. O lugar é calmo, cercado de verde, ladeado por montanhas, ponteado de belas casas. Recebe turistas da Itália, da Eslovênia, da própria Croácia e de outras partes. Todos buscando o mar. Fui, então, ver o mar.
Cheguei à beira-mar, pisei na praia... Praia? A praia, aqui, é feita de concreto! Uma grande área de concreto com alguns degraus - senta-se neles como talvez num antigo anfiteatro. Observa-se o mar, quem quiser entrar na água pode usar uma das escadas de metal espalhadas pela "praia" - como as escadas que usamos em piscinas. No mar, transparente, vai-se pisar mais uma vez no concreto. Como num imenso tanque de água salgada. Avança-se uns degraus mar adentro e só então deixa-se para trás o concreto. O fundo é pedregoso.
Quando quiser sair da água, o recomendável é usar novamente uma das tais escadas. Como o corpo estará molhado, pode-se querer trocar de roupa, então vai-se até uma das cabines de vestuários espalhadas ali perto - como nas nossas praias há umas tantas décadas.
Em vez de entrar na água, uma opção (parece-me que a preferida do pessoal) é simplesmente estender uma toalha no concreto e tomar banho de sol. Guarda-sóis não são muito populares, pois não há como cravá-los no chão, a não ser num dos buracos que aquele rapazinho lá adiante está fazendo com uma furadeira elétrica...
E não estou falando de um cenário incomum. Este é o retrato de um balneário típico por aqui. Na verdade, de um dos mais conhecidos da região! E como ele há outros. Verdade que nem todas as praias são de concreto: também as há de rocha ou de pequenas pedras, como cascalho. Areia? Cheguei a ver areia numas duas praias que, juntas, devem somar uns 10 metros de extensão e, por algum motivo, não pareciam muito populares, estavam bem vazias.
Verdade, também, que não vim à Croácia para frequentar a praia, então o concreto não me incomodou. Até preferi assim, afinal quem não gosta de se deparar com o inusitado quando viaja?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

La Contrada della Civetta

Aqui em Siena, mais forte do que eu esperava é a cultura do Palio, em torno do qual tudo parece girar.
O Palio, em sentido estrito, é uma corrida de cavalos que ocorre na cidade desde a Idade Média. Mas é também mais que isso, porque se trata de uma festa que vai bastante além da corrida propriamente dita. A prova é que ainda faltam meses para o Palio e, apesar disso, já se pode senti-lo em cada rua de Siena.
Pois bem, a cidade é dividida em 17 contrade (paróquias), as quais rivalizam entre si dentro e fora do Palio. Cada contrada tem seu território, suas cores, seu hino, sua história... Além disso, cada uma é ligada, direta ou indiretamente, a um animal-símbolo, quase como um mascote.
Eu sabia de tudo isso, só não sabia que as contrade eram representadas por animais...
Também sabia que, se eu tivesse oportunidade, acabaria criando simpatia por alguma das contrade. Lembrava de uma crônica em que o colorado L. F. Verissimo confessa ter torcido pelo conjunto vermelho e branco (imagino que seja a Contrada della Giraffa) levado pela preferência de cor.
Comigo aconteceu, porém, que já ao chegar no hotel eu me deparei com uma grande bandeira na parede - a bandeira da Contrada della Civetta, onde estou hospedado. E a partir daí comecei a conversar com o recepcionista sobre a bandeira e a contrada.
Ora vejam, civetta, ou gufo, é uma coruja. E conheço uma pessoa que imediatamente criaria simpatia pela civetta: minha mãe, que tem uma coleção de corujas famosa em toda a família e além (é comum, quando um de nós viaja, trazer uma lembrança em forma de coruja para ela), que tem umas tantas fotos de corujas, que é uma mãe-coruja.
Nem preciso dizer que fiquei imaginando qual seria a reação dela ao ver tanta civetta por todos os lados aqui! Nas bandeiras, nos artesanatos... E mais: ao entrar numa viela menos frequentada, topei com o ensaio de um grupo de jovens para o próximo Palio (a festa inclui tambores, música, desfiles e acrobacias); instintivamente quis saber qual era aquela contrada e adorei saber que era justamente a da Civetta... Um pouco adiante, uma apresentação de corais das contrade, e lá estava a Civetta orgulhosamente entre elas.
O bom disso tudo é que se trata de algo que dá vida, cor e movimento à cidade. Sim, envolve turismo e portanto dinheiro, mas as pessoas me pareceram genuinamente envolvidas - um envolvimento que lembra um pouco o dos cariocas com o carnaval.
Enfim, agora já tenho por quem torcer na próxima vez em que vier a Siena...

PS1: A foto é de um ensaio da Contrada della Civetta.
PS2: Entre os animais que representam as outras contrade, há uns curiosos, como a tartaruga e o caracol, uns imaginários, como o dragão, e uns menos surpreendentes (heraldicamente), como a águia e o lobo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sob o sol da Toscana

Cada lugar pode ser visto de diferentes formas. Tudo depende do que prestamos atenção, da nossa experiência prévia e de que maneira reagimos.
Um dado interessante sobre a Toscana é que ela permite, de uma maneira bastante natural, esta multiplicidade de olhares. Eu, por exemplo, comecei por Florença - que, como escrevi, parecia-me grande mas acabou se mostrando não tão grande. Mesmo assim, é um ótimo lugar para conhecer gente, pois não faltam pessoas de toda parte com interesses similares. Não estou falando de virar a noite em festas intermináveis, mas simplesmente de trocar histórias de viagens. E, às vezes, histórias de vida (não será tudo a mesma coisa?).
Saindo de Florença, é uma delícia descobrir as cidades menores que há em volta, umas mais turísticas e outras nem tanto. O ritmo é mais lento, convida à contemplação e à degustação. Caminha-se sem a obrigação tácita de visitar museus imperdíveis ou de enfrentar filas.
O que não quer dizer que não haja museus, com ou sem filas. Quem quiser poderá dedicar facilmente um bom tempo a explorar tesouros renascentistas, medievais e até mesmo etruscos.
De um lado a outro, o trem é bastante conveniente. E passa-se por paisagens marcantes, campos, lagos e plantações. As mesmas paisagens que são deliciosas de se avistar do topo das colinas que aqui há aos montes, cada uma com um antigo povoado fortificado. Que, de forma quase paradoxal, hoje recebe os visitantes com os braços abertos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Binários

"...são só dois lados da mesma viagem..."
("Encontros e Despedidas", Geraldo Pereira)

A história que vão ler agora é uma pequena confissão de ignorância deste cronista que vos escreve...
Quem viaja de trem pela Itália logo aprende que, para tomar a composição certa, é preciso saber de qual das plataformas da estação ela sai. Aqui na Itália, cada uma destas posições nas plataformas é chamada de "binario".
Desde o começo, eu fiquei me indagando de onde terá vindo este termo, binário. Os binários não aparecem aos pares: contam se às dezenas nas estações maiores. Verdade que, em muitos casos, se agrupam dois a dois, mas isso não faz muito sentido para batizar a posição do trem como binário, ainda mais que há exceções.
Um trem que vai e volta, que chega e sai, que anda nos dois sentidos, daí o nome de binário? Pouco provável.
Mas por que diabos "binario"?
Hoje tive o estalo: andando de trem, observava o avanço mais ou menos monótono dos vagões sobre a paisagem, a linha férrea... E não é que me dei conta do que todo mundo sabe, isto é, que o trem corre por um par de trilhos? Um binário de trilhos, portanto! E nas estações, claro, há vários destes pares de trilhos - vários binários - correspondendo, cada um, a uma composição prestes a chegar ou a partir...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Florença

Ainda não cheguei a uma conclusão sobre Florença (ou Firenze, como dizem os italianos): é uma cidade grande ou uma cidade pequena?
No começo, imaginei que fosse grande. Vejamos: foi considerada das mais importantes e poderosas cidades-estado da Itália, recebe uma quantidade espantosa de gente todos os dias, possui um acervo histórico e artístico maior que o de muitos países, é um centro cultural reconhecido...
Por outro lado, é uma cidade espantosamente compacta, a ponto de não ser difícil percorrê-la a pé. Apesar de movimentada pela quantidade de gente que passa por ela, conserva um ar antigo que certamente não combina com uma metrópole. E, o que para mim é o argumento definitivo, conhecidos se encontram nela ao acaso quando caminham por suas ruas.
Sim! Estou em Florença há três dias e isso já me aconteceu algumas vezes. Primeiro, uma senhora me parou na rua pedindo informação (qualquer hora vou escrever sobre a arte de dar informações, bem como a de pedir informações). Um pouco mais adiante, cruzei novamente com a mesma senhora (e aproveitei para complementar a indicação do caminho que ela queria). Minutos mais e nos vimos novamente! Aí foi impossível não parar pra conversar ao menos um pouco, ela era canadense e recém chegada à cidade...
Ontem foi uma moça que vi na pousada onde estou e vi novamente caminhando pela rua. À noite, de volta a pousada, ela me contou que havia passado, por acaso, praticamente pelos mesmos lugares que eu naquela tarde!
Hoje, foi um grupo de argentinos que sentou perto de mim num trem saindo de Florença. Voltei à cidade pela tarde e encontrei o mesmo grupo na entrada de um museu!
Agora me digam: isto tudo não acontece numa cidade grande, acontece?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ciao!

Uma das coisas mais estranhas de quando se está na Itália é dizer "tchau" no lugar de "oi". Porque o cumprimento mais comum em italiano, ao se chegar a algum lugar, é justamente este, "ciao" ("tchau"). Eu sabia disto e não esperava me surpreender, mas de qualquer maneira é algo que leva certo tempo até a gente se acostumar.
Já para uma série de outras coisas, quase não é preciso saber muito de italiano. Pizza, como se sabe, é pizza mesmo. Fui pedir uma pizza de cogumelos, não conseguia lembrar a palavra até que ela me veio, negritando de tão óbvia: "funghi".
Na cafeteria, a coisa é mais fácil ainda. Enquanto que, no Brasil, os esnobes bebem "caffe macchiato", "marocchino" e outras variantes (pobre bebe quase a mesma coisa, mas com o nome de pingado, cortado etc.), aqui se pode pedir o café de nome mais rebuscado possível e ele será servido com toda a naturalidade (e o grão será, bem possivelmente, brasileiro).
Outras palavras, mesmo que a gente não use no cotidiano, estão no nosso inconsciente: "pomodoro" (tomate), "gelato" (sorvete) e por aí vai. De resto, ao menos nos lugares turísticos (que são quase todos quando se trata de Itália), pode-se passar bem sem o italiano: todos parecem falar inglês e mais um pouco de alguma outra língua. O que é quase uma pena em se tratando de um idioma tão sonoro quanto o deles!

Outra crônica inspirada em Roma: Chapéus

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Questão de tamanho

Malta tem todas as características de um pequeno-grande lugar. Deem uma olhada no mapa. Achem este ponto quase imperceptível e reparem na sua localização: entre a Europa e a África, a meio caminho entre Gibraltar e a Turquia - ponto focal, portanto, de algumas das mais influentes civilizações da história. (E, apesar de ter menos de 50 anos como nação independente, as mais antigas construções pré-históricas do mundo estão em Malta.)
Mais que servir de recheio para enciclopédias, isto ajuda a dar ao país um ar tão fascinante. A mistura cultural começa pela língua: o maltês é intrigante, tem uma sonoridade vagamente árabe entremeada de palavras latinas e anglossaxônicas. A comida também é uma mistura - das massas e dos pastéis à carne de caça, desta ao queijo. A arquitetura é de uma grandiosidade que espanta numa ilha tão pequena - reflexos talvez de uma história conturbada.
Um país lapidado pelos séculos. Assim como seus habitantes, cientes e orgulhosos de tudo o que já se viveu nesta terra arenosa. Alberto Caeiro, quando falava de sua aldeia, bem parecia estar falando como maltês: "porque eu sou do tamanho do que vejo/ e não do tamanho da minha altura".

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Primeiras impressões de Malta

Cheguei a Malta ontem e, em um dia e meio, já posso dizer que o país me surpeendeu positivamente. Aliás, é fácil se surpreender aqui, as cidades são lindas e sutilmente exóticas, de um exotismo que deleita os olhos.
O país... Ando descobrindo que gosto mesmo de lugares assim, pequenos, quase escondidos, (talvez por isso) cheios de uma cultura particular. Ao mesmo tempo em que eu levaria tempo para conhecer toda a história, cultura ou língua daqui, com muito pouco seria possível dizer que percorri todo o país, tal a sua pequena dimensão.
Já numa das primeiras conversas, um senhor, ao saber que eu era brasileiro, começou a falar de futebol e do Pelé. Até aí, nenhuma novidade; curioso foi quando ele perguntou, como se fosse natural, se eu era amigo do Pelé. Para alguém acostumado a uma pequena ilha, deve ser difícil até mesmo imaginar um país das dimensões do nosso!
Não por acaso, dizem que a regra dos seis graus de separação não vale na ilha: aqui são dois graus, ou seja, um maltês pode não conhecer diretamente outro maltês tomado ao acaso, mas muito provavelmente conhece algum amigo em comum...

sábado, 7 de maio de 2011

Da Ilha Grande ao Rio de Janeiro


No dia seguinte, mais um nascer do sol primoroso - o Saco do Céu realmente guarda imagens lindas. O nosso coração é que, a esta altura, vivia emoções contraditórias: seguiríamos viagem, mas em direção ao leste, ou seja, já no rumo de volta. Aos poucos, deixaríamos a Ilha Grande para trás e, mais do que isso, enfrentaríamos novamente a desgastante travessia até a cidade do Rio de Janeiro.
Mas uma coisa de cada vez. Ainda tínhamos mais um dia para aproveitar na ilha e o plano era retornar à Enseada das Palmas, passando o dia numa das praias de lá que ainda não havíamos explorado. Foi o que fizemos, e foram momentos agradáveis - a velejada tranquila, a ancoragem nas proximidades da praia, banho de mar, caminhada na areia, almoço num pequeno e pitoresco restaurante-balsa. No final do dia, seguimos para outro ponto no extremo nordeste, já pensando na travessia. Acomodamo-nos, procuramos descansar o máximo durante o tempo que ainda nos restava... e, antes do sol nascer, estávamos novamente navegando, agora voltando para casa. O vento ajudou ainda menos que na ida: no começo praticamente não nos apareceu, obrigando-nos a apelar para o motor. Em compensação, fomos brindados por mais um belo nascer-do-sol no mar.
Quando o vento apareceu, foi pela proa (vento contra), o que nos permitia avançar mas da maneira mais trabalhosa e demorada. Enfim, com um bocado de paciência e tempo mais que suficiente para todo tipo de divagações, aos poucos a paisagem do Rio se descortinava. Na Marambaia, ouvíamos repetidos estrondos - trata-se de uma área militar. Na Barra da Tijuca, via-se a tradicional multidão de guardassóis tomanco conta da praia. Ansiávamos por chegar em casa, mas estávamos mais uma vez sendo pegos pela noite durante a travessia - e ainda mais cansados que na ida. Optamos então por uma parada intermediária: ancoramos entre as ilhas Cagarras, já bem perto da barra da Guanabara, e passamos ali a noite. Acordamos com o sol, um pouco mais descansados, mas cada vez mais ansiosos com a vista de casa (e o vento, fraquíssimo, que não nos ajudava!). Enfim, seguimos. E chegamos. Desembarcamos mais cansados do que esperávamos, mas com todas as marcas indeléveis de férias ricas e intensas. Mil garrafas ao mar não dariam conta do que aqueles dias de mar e sal me acrescentaram.

sábado, 2 de abril de 2011

Susto e recompensa


Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa












Logo cedo, conforme planejado, fiz o reparo do leme. Tudo pronto, hora de levantar âncora da Vila do Abraão. Rumamos para noroeste, com a intenção de explorar um pouco das famosas ilhas da baía - iríamos até as ilhas Botinas e talvez, dependendo do tempo, até a ilha da Gipoia. A velejada começou tranquila, avançávamos ajudados por um vento de popa. Bem, uma das coisas que aprendi é que as coisas mudam, e isto é particularmente verdade quando se trata de condições do tempo. Aos poucos, o vento foi aumentando e o mar foi ficando mais agitado - nada que nos assustasse, mas sim que exigia atenção e cuidados redobrados. Rizamos (diminuímos) as velas e seguimos em frente. Então aconteceu: subitamente o barco começou a responder de forma estranha... Um dos lemes não respondia! De alguma maneira, o conserto não havia dado certo. Tensão! Após uma rápida avaliação da situação, concluí que não havia o que fazer a não ser usar todos os meios possíveis para chegar ao primeiro porto disponível. No caso, acabou sendo a marina Portogalo, aonde chegamos assustados e cansados, mas em segurança. Na contabilidade dos prejuízos, além do leme quebrado, problemas na costura da buja (vela da proa), que se soltara enquanto tentávamos controlar o barco. O lado bom é que estávamos no continente, numa marina com estrutura muito melhor que a de qualquer ponto da ilha. Procurei a oficina da marina, providenciei novo conserto (desta vez com material mais reforçado) e preparamos o Pandorga para pernoitar ali - não sem antes uma boa ducha e um esperado jantar.
O dia seguinte amanheceu com tempo bom, mas havia uma decisão difícil a ser tomada. A princípio, não se havia perdido muita coisa, basicamente foram danos materiais já reparados, mas havia sim sido perdido algo importante: a nossa confiança no barco para fazer uma travessia como a planejada. E então? Optamos por uma leve mudança ns planos: não iríamos mais até as ilhas Botinas, em vez disso rumaríamos para a Lagoa Azul, que ficava mais perto, e iríamos aos poucos testando o barco para garantir que ele não nos traria mais surpresas. Dito e feito. A tal Lagoa Azul não é uma lagoa, mas uma enseada de águas rasas e claras excelente para snorkelling. Não por acaso, é o ponto alto da maioria dos passeios turísticos que saem do Abraão. Quanto a nós, fomos até lá sem mais contratempos e tivemos recompensada a insistência. Que pedaço de mar encantador! Seria um crime fazer uma viagem como a nossa e não passar por lá.
Otimismo renovado... Seguimos em frente. Próxima parada: Saco do Céu, uma das enseadas mais protegidas de toda a ilha, o que faz com que seja também um concorrido ponto de pernoite de embarcações. Na ida até lá, pegamos um vento razoável pela proa e o Pandorga se comportou bem, o que fez aumentar novamente a confiança nele. A chegada no Saco do Céu foi das melhores possíveis: paisagem linda (como em toda a ilha), águas calmíssimas (perfeitas para o pernoite do barco) e um restaurante com um cais que foi a primeira coisa que procuramos, porque nossos estômagos àquela hora estavam ansiosos por uma boa refeição! Após, ainda tivemos tempo para aproveitar e descansar. Mais mergulhos, mais conversas, mais observação do que tínhamos à volta. Como havia tempo (e não havia tevê por perto), chegamos até a arriscar umas divertidas partidas de gamão. Sim, gamão! O Pandorga é o único veleiro que conheço que já foi palco de partidas de gamão na Ilha Grande... Enfim, nosso humor estava de volta e ansioso por mais.