sexta-feira, 15 de maio de 2009

Caminhando por ruas medievais

Chegamos, enfim, a Óbidos.
Óbidos é, como dizem os livros de viagem, uma encantadora cidade cercada por muralhas medievais. Num extremo está o seu castelo. As ruas seguem o traçado original, as paredes são brancas e floridas... E há turistas. Muitos turistas, falando diferentes línguas, fotografando e circulando entre lojas de artesanatos. Lembra a cidade de Parati, no litoral fluminense - embora cada uma tenha suas particularidades, é claro.
Óbidos: um lindo lugar para se ver uma vila medieval. Mas... Eu diria apenas para 'ver'. Porque a ilha do Corvo, aquela sim, é um lugar para se 'sentir' uma vila medieval. A diferença? Na ilha, as ruas e as construções parecem mais autênticas, moldadas às necessidades dos habitantes e não reformadas de acordo com e estética do turismo. As pessoas realmente vivem daquela maneira, com o que a terra dá, os quintais são repletos de plantações e de animais, não de lojas de suvenires, e até mesmo as fechaduras das portas são únicas. Óbidos é mais fotogênica que isto, sem dúvida: restaurada e conservada, colorida, parece não ter um único beco cheirando mal. Mas qual delas, Óbidos ou Corvo, qual será que permite sentir melhor como se vivia séculos atrás?
Talvez cada uma tenha sua graça. Eu tenho medo de que o Corvo se transforme num lugar como Óbidos. Assim como Óbidos não precisa se transformar no Corvo.

Fotografia: vista de Óbidos.

Padaria?

Em Coimbra, como em algumas outras cidades por que passamos, estávamos procurando um mercado para, à noite, fazermos um lanche rápido. Com o tanto que temos comido durante o dia, um sanduíche às vezes é mais que suficiente para o jantar.
Acontece que, perto de onde estávamos, não encontrávamos lugar algum onde comprar pão e frios. Ainda mais depois das seis da tarde, quando tudo parece fechar.
Até que surgiu na nossa frente a Padaria Popular. Entramos, mas o lugar parecia mais bar que padaria. Perguntamos. A resposta foi mais ou menos assim:
- Não há pão. Isto é um 'snack bar', 'Padaria' é só o nome do estabelecimento.
Pois é, desculpem-me os portugueses, mas tivemos de vir a Portugal para encontrar uma padaria que não vende pão!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Coimbra

Vista noturna da cidade de Coimbra - fotografada da janela do nosso quarto...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A menina da ria

Aveiro, a 'Veneza portuguesa'. Eis uma cidade deliciosamente feminina.
Para começar, ela é banhada não por um rio, mas por uma ria - assim chamam uma espécie de lagoa-estuário nesta região do país.
Aveiro é elegantemente feminina quando se veste de pontes a cruzar seus braços. É languidamente feminina quando se estende em canais de água. É suavemente devota no convento onde viveu Santa Joana. E é saborosamente familiar quando oferece aos visitantes seus doces de ovos moles.
Nossa visita foi curta, mas suficiente para apreciar um pouco disto tudo, como numa espécie de degustação. E ainda tivemos tempo para ir à vizinha Costa Nova, um lugarejo à beira mar e à beira ria... Costa Nova de casas coloridas e listradas. Vibrantes como as cores dos próprios barcos que percorrem esta região.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Hospitalidade portuguesa, com certeza

Enfim, no continente. Cidade do Porto, linda com sua arquitetura típica, suas igrejas, suas pontes, a vista do rio Douro. E o mais interesante: não é uma cidade excessivamente grande. O Porto parece que soube se conservar num tamanho razoavelmente pequeno para ser um lugar agradável.
Porém, no caso, isto ainda não é tudo. Se as viagens são feitas de lugares, são mais ainda feitas de pessoas. Pois tivemos a felicidade de uma recepção primorosa no Porto. Marta e Pedro, eu já desconfiava que iria encontrar pessoas simpáticas, mas vocês conseguiram superar minhas expectativas! O coração ficou um tanto mais português (e portuense) com o carinho de vocês, as atenções redobradas, as conversas saborosas, o bacalhau indescritível...
Ah, e o azeite de oliva em tudo: será que alguém no Brasil consegue imaginar o que é uma garrafa de 5 L de azeite de oliva e a velocidade com que se consome uma garrafa destas, de tão generalizado que é seu uso?
Ah, os amigos que deixamos no norte de Portugal: o vinho do Porto que levamos terá o sabor destas lembranças!

sábado, 9 de maio de 2009

Fragmentos de conversas açorianas

- É bonito!
(Qualquer açoriano sobre qualquer vista de sua ilha.)

- Por que tantos muros de pedra?
- Temos muitas pedras, é preciso usá-las de alguma maneira, para dar espaço à terra onde plantar...

- Já foram ao Peter?
(No Faial, sobre o café que é parada obrigatória.)

- Maio ainda dá capote aos marinheiros.
(Numa região de ventos imprevisíveis, o aviso de que a primavera chegou mas ainda não se firmou.)

- Com licença, era o senhor que estava caminhando na rua ontem à noite, durante minha aula de música?
(Numa ilha em que todos se conhecem e as ruas ficam desertas quando cai a tarde.)

- Não há um açougue na ilha?
- Talho? Não temos. Cada um de nós cria suas próprias vacas. Aqui é um lugar diferente de qualquer outro. É preciso saber viver no Corvo.

- Hoje aqui, amanhã também...
(Suave resignação com o isolamento da ilha.)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Bom dia, Corvo!


Chegamos hoje à ilha do Corvo, a 'mais pequena' dos Açores. Para chegar aqui, tomamos um avião de apenas 18 lugares que chamam de Mosquito...
O lugar é uma minúscula vila inacreditavelmente parada no tempo. Ruelas que parecem medievais habitadas pelos corvinos juntamente com suas criações de porcos, galinhas, cães... Moinhos de vento que encantariam D. Quixote. E essas pessoas que parecem conhecer uns aos outros e nos cumprimentam sempre, na rua, com um bom-dia ou boa-tarde. O dono da pousada foi nos buscar no aeroporto - sem aviso prévio, eu sequer informara que chegaria naquele avião. Acomodou-nos um tanto improvisados em sua velha caminhonete Ford e nos trouxe até aqui: o Comodoro, a única pousada da ilha, surpreendentemente moderna e confortável.
Vínhamos cogitando que os Açores são uma espécie de país em miniatura. Pois o Corvo é uma miniatura dos Açores, uma miniatura primorosa.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Terra e água, as pedras e o mar

Os açorianos são, como não podia deixar de ser, um povo dividido entre a terra e o mar. E o que mais chama a atenção é a maneira como as pessoas se relacionam com o seu meio em cada uma das ilhas.
Na ilha Terceira, são voltados completamente para a terra. Criam gado e cultivam o solo. Terra de origem vulcânica, dividida em pequenos lotes or pitorescos muros de pedra. Quem quiser conhecer a Terceira, com sua curiosa alma vulcânica, tome o táxi do sr. Aurélio e ele contará todas as histórias que conhece.
Vá depois ao Faial, outra das ilhas. O contraste com as demais se dá na forma como os faialenses abrem os braços para o mar. Os barcos ancorados e o café do Peter recebem quem chega. E a arte tradicional da ilha é feita, vejam só, em dentes de cachalote!
A frase que repetem por aqui não é exagero: cada ilha é diferente, cada uma tem suas particularidades e encantos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vista noturna de Angra do Heroísmo

Alguém aí já visitou a cratera de um vulcão?

Eu já. E amanhã devo visitar mais uma... Desculpem a afirmação pedante, mas é uma forma que encontrei de contar o quanto a paisagem aqui é diferente. Os Açores são ilhas vulcânicas: cada ilha é o topo de um vulcão no meio do oceano, às vezes mais de um vulcão.
Isto faz com que as ilhas tenham uma geografia realmente linda e incomum! A cratera que visitamos ontem (Sete Cidades) é realmente grande: engloba uma vila encantadora, que parece perdida no tempo e no espaço; mais ainda, contém lagoas de cores indescritíveis. Imaginem, por exemplo, uma lagoa em forma de oito onde metade é verde e metade é azul... Cores que as fotos, por melhores que sejam, terão dificuldade para mostrar...
Enfim: eses 'loucos' açorianos vivem num lugar... único!