domingo, 8 de fevereiro de 2009

Rajastani


Um personagem típico do Rajastão, na Índia. Notem o traje: o chamado kurta-pyjama, que é este conjunto de camisolão comprido (kurta) e calça longa enrolada no tornozelo (pyjama). Apesar do nome, é um traje considerado formal. O turbante, enrolado à maneira do Rajastão, denuncia a origem de quem o usa.
Detalhe: quando fiz esta foto, em Jaipur, não tive como escapar de dar uma gorjeta (Tip!). E esse onipresente pedido de gorjeta me incomodava bastante, não tanto pela quantia, mas principalmente pela insistência...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sinetes

Os sinetes orientais são carimbos esculpidos em pedra e usados pelos chineses em pinturas e peças de caligrafia como uma espécie de assinatura do artista. Além disso, muitos deles são extremamente bonitos e bem-elaborados, sendo por si só uma obra de arte. Na verdade, duas obras de arte em uma: além da escultura do carimbo, cujo corpo geralmente representa algum animal típico ou mitológico, há a gravura do nome do usuário, em ideogramas, na base. As livrarias que visitei possuíam alguns livros sobre essa técnica na seção de artes.
Sinetes assim são fáceis de se encontrar na China e seu preço pode variar bastante, dependendo do grau de elaboração da peça e, é claro, da capacidade de pechincha do comprador. E em alguns lugares se encontram artesãos que gravam o nome do interessado na hora.
Então: uma peça pequena, fácil de transportar; uma peça de arte original, ao menos para nós ocidentais; uma peça ligada à escrita e à pintura, que são duas de minhas paixões. Claro que eu não sairia de lá sem um sinete destes...
O meu tem a imagem tradicional do dragão chinês e os ideogramas do meu nome - ou pelo menos da "tradução" mais usual, que seria algo como Aidehua:


E esta é a banca de um vendedor/gravador de sinetes em Panjiayuan, um mercado fantástico de artesanato, antiguidades e curiosidades no sul de Pequim:


texto e imagens por Eduardo Trindade

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Birla Mandir



Este é o templo hinduísta de Birla Mandir, em Déli, um dos principais locais de culto indianos e importante atração turística da cidade. É um templo moderno, consta que foi um dos primeiros da Índia a não ter restrição de casta e chegou a ser freqüentado por Gandhi.
As divindades principais do templo são os consortes Lakshmi e Vishnu, representados em coloridas imagens no interior (não se pode tirar fotos do interior, como também não se pode andar com os pés calçados).
E... neste mesmo local, não pude deixar de me surpreender com os extintores de incêndio. Fotografei-os, é claro:
Juro que é verdade!

sábado, 25 de outubro de 2008

Chineses

Antes de viajar, eu imaginava que o contato com os chineses pudesse ser um tanto desagradável. O estereótipo que eu tinha era de um povo um tanto fechado, quase antipático para os padrões brasileiros.
Pois os chineses me surpreenderam demais, positivamente. Não seria exagero dizer que entre as melhores coisas que a viagem me proporcionou está o contato que tive com tantas pessoas na China.
Sim, é claro que encontrei muitos turistas de diversas partes do mundo, especialmente em Pequim. Afinal, era época de Jogos Olímpicos. E conversar com tanta gente de sotaques e costumes diferentes (espanhóis, italianos, alemães, ingleses, franceses, australianos, estadunidenses...) é, sem dúvida, fascinante. Esta troca de experiências não tem preço! Mais: conversar com gente que, de certa forma, estava na mesma situação que eu, tão longe de casa, foi fundamental para que eu me sentisse mais à vontade naquela terra "desconhecida".
Mas nada se compara a conversar com os chineses. Assumo o risco da generalização e digo, sem hesitar, que se trata de um dos povos mais simpáticos e mais cordiais com que eu já tive contato. Alguns podem dizer que tive essa impressão por se tratar de Jogos Olímpicos. Pois bem: eu senti o mesmo em diferentes cidades durante e depois do evento. Mais do que isso: não acredito que fosse possível mudar tão profundamente a atitude das pessoas em tão pouco tempo, apenas para os Jogos.
Cito dois exemplos.
Em Pequim, demorei um pouco até encontrar um computador para me comunicar com o Brasil. E consegui quando resolvi perguntar, em mandarim, a uma chinesa que passava na rua. Ela vinha com sacolas de supermercado nas duas mãos. Parou, pensou e afinal respondeu que sentia muito, mas não sabia onde havia uma lan house. Segui então meu caminho e ela o dela. Instantes depois, percebi que ela vinha atrás de mim, ofegante (carregava umas tantas sacolas!). Havia se lembrado. Com gestos, fez sinal para que eu a seguisse. O mínimo que pude fazer foi ajudá-la com as sacolas e segui-la. Andamos umas três quadras, viramos uma esquina, entramos num prédio e só então ela me apontou a lan house. Eu mal podia acreditar e me desdobrar em todos os agradecimentos chineses que eu sabia...
Noutra ocasião, eu estava para entrar no Ninho de Pássaro e queria ligar para o Brasil avisando que eu estaria no estádio. Mas não encontrava orelhão. Perguntei, então, a um chinês se ele sabia onde havia um telefone público. A resposta: não, nestá área não há telefones públicos, mas pode usar meu celular. E me estendeu o telefone! Eu agradeci e recusei, dizendo que se tratava de uma ligação internacional. Pois vocês acreditam que, mesmo assim, ele insistiu, disse que não se importava, que eu ficasse à vontade? Não tive coragem de aceitar, mas saí com uma impressão ainda melhor do que aquela que eu já estava formando a respeito dos chineses.





Fotos: alguns dos amigos que fiz na China.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Álbum de viagem

Claro que, quando se trata de uma viagem como essa, todo mundo fica ansioso para ver as fotos. Pois aqui vão algumas, embora eu mesmo não tenha tido tempo de olhá-las com calma.

Templo do Céu, em Pequim


Caverna da Flauta de Bambu, em Guilin


Taj Mahal, em Agra

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Taj Mahal


Há monumentos e paisagens que, por mais que estejam presentes em fotos e no imaginário da gente, são ainda mais impressionantes ao vivo. O Taj Mahal é um deles. Belo, imponente, emocionante por todos os ângulos.
É um monumento para se ficar parado, olhando. Em seguida, uns passos para lá, e de novo olhar para ele. Descobrir cada novo ângulo. Depois, tomar fôlego (tanto por causa da beleza cintilante dele quanto por causa do calor indiano) e, de pés descalços e no sentido horário, circular ao redor do cenotáfio.
Cenotáfio: é o mesmo que uma tumba, porém sem restos mortais. Uma tumba simbólica. Pois, embora seja conhecido como o Monumento do Amor, o Taj Mahal é um mausoléu. Mas praticamente nada nele lembra um mausoléu. É tão branco, belo e brilhante, são tantos os detalhes esculpidos e incrustados no mármore! É de tirar o fôlego.
Mesmo depois da visita ao Taj Mahal, ele continua me acompanhando de vez em quando. Pois, de tão imponente, ele é visto facilmente de outros pontos de cidade e, especialmente, do forte de Agra. De repente, entro por um corredor, dobro uma esquina e lá está ele, lembrando que existem, sim, coisas que valem muito a pena serem vistas, degustadas e compartilhadas.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os olhos da Índia

Se as mulheres indianas são bonitas? Bem, há bonitas e outras nem tanto, como em qualquer lugar. Mas não é isso que chama a atenção. Eu achava que o que chamava a atenção era a roupa - tantos sáris diferentes e coloridos. Porém, eu me dei conta de que não é só isso.
O olhar... Os olhos são uma das poucas partes do corpo que elas mostram (às vezes, a única parte). E é dificil encontrar os olhos de quem quer que seja por aqui.
As indianas têm olhos misteriosos. Não, não quero dizer que sejam atraentes. São olhos fugazes. Olhos que fogem. Olhos que sentem medo.
Mistério, fuga, medo. Esses olhos escondem fantasmas. E fantasmas podem, sim, ser assustadores.
Só são olhos, talvez, para o marido e o pai. São fantasmas. Não são olhos para capa da National Geographic; são olhos que marcam bem fundo quem por acaso cruzar com eles.
As mulheres indianas não falam com estrangeiros. Não falam com estranhos. Não falam. Bem, há algumas que chegam perto - mas não é fala, é um gemido. São mulheres grávidas ou com um filho no colo e que, levando as mãos à boca num gesto de partir o coração, pedem esmola.
Elas não pedem socorro. Ninguém lhes ensinou a pedir socorro. Nem há quem ensine fantasmas a agir como seres humanos. Sim, seres humanos, quem vai socorrer as mulheres indianas?
Os olhos dessas mulheres são a paisagem mais sincera que encontrei na Índia.

Quanto vale um passeio de elefante?

Hoje eu andei de elefante. Como descrever? Era um elefante indiano, claro, com aquela cara amiga de elefante. Pintado e decorado com as cores que se imagina nas pinturas mais otimistas. E o passeio? Bem, foi literalmente mais uma "volta" que um "passeio". É algo diferente. Primeiro, porque se vê tudo do alto. E também porque o sacolejar do elefante não se parece com nada de que eu me lembre - nem cavalo, nem um barco, nada mesmo. Mas seria agradável e divertido. Valendo, assim, as 500 rúpias que paguei - equivalentes a 25 reais ou cinco Maharaja Mac com coca-cola e fritas. Sendo que Maharaja Mac é o sanduíche que o McDonald's mais vende aqui, pois é óbvio que nao existe o Big Mac tradicional.
Bem... O que incomoda, na Índia, é que, já na metade do caminho, o condutor do elefante começa a me pedir gorjeta. "Tip! Tip! Tip!" E, quando desci do elefante, mais pedidos de gorjeta além do pagamento que havia sido acertado. Eles são amistosos e solícitos, mas somente enquanto esperam receber algo em troca. Não é a quantia que incomoda, é o assédio. E sabe no que mais eu pensei? No pobre do elefante, que tinha ainda menos escolha do que eu. Se eu estava me sentindo incomodado, que dirá o elefante! Fiquei com pena, sim. Perguntei o nome e me disseram que era Pashna (se é que meu ouvido entende algo de hindi). E o tal condutor não parecia ter cara de quem tratava tão bem o Pashna... Pobre amigo!
Sim, eu andei de elefante. Tenho fotos disso e, certamente, historias para contar enquanto houver gente disposta a ouvir. Por apenas 500 rúpias, fora a gorjeta. Mas para o elefante quanto terá custado esse passeio e tantos outros?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

India

De repente, estou num outro planeta. Esta eh a sensacao. Tudo eh diferente, tao diferente que nao adianta muito se preparar, ler livros e guias de viagem. As pesoas (fisionomia, maneira de vestir, atitudes). O transito e a organizacao (?) indecifravel das ruas. Os costumes, a cultura. Coloco o peh na rua e nao sei por onde comecar... A melhor solucao que encontrei foi contratar um motorista para me levar aos principais lugares de Delhi, que, alias, sao muito bonitos. Um "city tour" privado - por sorte, eh barato, cerca de 25 reais pelo dia inteiro. O inconveniente eh que o "city tour" varias paradas em lojas para turistas, essas sim bastante caras.
Aqui em Delhi eu estou me sentindo realmente sozinho. Nao consigo me sentir em casa. Isto eh algo que eu nao senti na China: lah eu conseguia entender como as coisas funcionavam e, havia mais turistas em situacao parecida com a minha e, alem disso, os chineses eram receptivos e prestativos. Bem, os indianos tambem sao prestativos, mas eh diferente, eh uma atitude mais servical, que me deixa pouco a vontade. Os chineses se esforcavam para ser amigos e nao queriam nada em troca. Os indianos se esforcam para serem criados e insistem em receber gorjeta. Por mais que a gorjeta seja insignificante, a situacao acaba nao sendo tao agradavel quanto poderia ser...
Vejamos... Dizem que a India sempre choca no comeco, mas que a gente se acostuma...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Yangshuo


Em Yangshuo, ponto final do passeio de barco pelo rio Li, resolvi virar balseiro e comedor de arroz...
Brincadeira, é claro. Mas este é um dos inúmeros balseiros desta região. Estes balseiros, pelo visto, ainda vivem à moda antiga (e nao só por causa do turismo!). Notem, ao fundo, os picos de carste. Sao montanhas de calcário, ou seja, boa parte delas é "oca" - o que significa dezenas de cavernas para serem exploradas! Muitas destas cavernas têm gravuras e inscrições budistas. Eu sabia que este tipo de gravura em pedra era comum em outras partes da China, mas não esperava encontrá-lo aqui. Então, foi mais uma das belas surpresas que tive!