quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mind the gap - ou - Brincando de Interpol

Sempre gostei muito de jogos de tabuleiro. Quando criança, cheguei a passar horas debruçado sobre a mesa, ou mesmo no chão da sala, brincando. Havia os clássicos, como ludo e xadrez. E havia, claro, outro tipo de clássicos: Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, Interpol... Lembram de Interpol? Aquele desafio em que um dos jogadores era o procurado Mister X e os demais tentavam capturá-lo, correndo atrás dele de táxi, ônibus, metrô. O tabuleiro era o mapa de uma cidade. A cidade era Londres.
Daí que os anos passaram – mind the gap – e em 2005, quando a caixa de Interpol já estava guardada há algum tempo, surgiu a oportunidade de uma viagem à Inglaterra. Minha segunda ida à Europa. Descobrir Londres, assim, foi como me aventurar num jogo de Interpol, mas um jogo saboroso em que eu não tinha pressa para fugir de eventuais adversários; a única justificativa para pressa era o tempo escasso de que eu dispunha. Embarquei. E naquele jogo, em que eu andava pelo tabuleiro da Londres real, pipocavam imagens emblemáticas, cenas de filmes e de um inconsciente formado ao longo dos anos. Tudo merecia ser descoberto ou, mais precisamente, redescoberto, pois, ainda que se tratasse de novidades, era um universo familiar: os táxis pretos, os ônibus de dois andares, as cabines telefônicas, os guardas da rainha que sequer piscavam o olho. Sem falar nos cartões-postais, como a ponte sobre o Tâmisa e o Big Ben.
Além disso, não faltaram as histórias menos convencionais. Encontrei uma Londres com um gosto peculiar por mistérios e relatos macabros (uma cidade adequada, portanto, à ambientação de Interpol): Jack, o estripador; Henrique VIII e Ana Bolena; o Museu do Terror; o Dead Man’s Corner (algo como “Beco do Homem Morto”).
E histórias mais amenas, não poucas ambientadas em endereços célebres. Quem nunca sonhou em pisar na faixa de pedestres de Abbey Road, atravessando a rua exatamente como os Beatles fizeram? Pois Abbey Road está lá e, por mais prosaico que seja o gesto, tê-la atravessado é daquelas coisas que merecem serem contadas aos netos. Sim, e que tal ir até o número 221B da Baker Street? Reconhecem o endereço? É a morada de Sherlock Holmes. Lá, fui recebido por seu amigo, Dr. Watson em pessoa, que me levou para conhecer a habitação. Na verdade, é um curiosíssimo museu; mas, no meio de tantas histórias reais que parecem inventadas e outras tantas lendas que parecem reais, quem saberia dizer se eu pisava o tabuleiro de um jogo ou o calçamento de uma cidade?

Fotos: alguns encontros londrinos - um guarda na rua... outro "guarda" na Torre... e Sean Connery, ou melhor, a sua reprodução em cera no museu Madame Tussauds.

4 comentários:

Carolmay disse...

Muito legal Edu! Pretendo fazer em breve, dá vontade de ficar um mês lá e andar por cada rua. Comprei um guia de passeios a pé para fazer em Londres, existem 24 roteiros, um mais macabro que o outro! Acho que tu ia gostar.
Bj

Aline disse...

Ei Muito obrigada pelos comentários no meu blog. Vou dar uma olhada por aqui! Beijinhos

jefhcardoso disse...

Essa sua viagem... será muito bem recebida por seus futuros netos.
Bem, qualquer coisa eu estarei em meu blog (http://jefhcardoso.blogspot.com), onde falei sobre os dois dias que nos resta de vida.

Abraço do Jefhcardoso.

Najla Salih disse...

Nossa, deve ter sido incrível. Parabéns por esse espaço.