sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Aprendendo croata

Há um ano, comecei a estudar croata. Comecei aos poucos, dizendo que iria só dar uma espiadinha num livro de bolso, mas depois fui me enfronhando mais. Sempre sozinho, afinal não conheço escola de croata no Brasil. Cheguei a um ponto em que conseguia formar frases simples e entender partes de conversas. E cheguei a minha segunda viagem à Croácia.
Antes de viajar, pensei em aproveitar para procurar alguma escola para estrangeiros, mas me frustei, nada que encontrei funcionaria durante o inverno, época em que eu estaria na Croácia. Até que, já aos 45 do segundo tempo, tentei fazer mais uma busca e consegui contato com uma professora. Ela me daria lições durante uma semana.
Cheguei a Zagreb, começamos as aulas. Passamos algumas horas entre livros, exercícios e taças de "vruća čokolada" (chocolate quente) numa "slastičarnica" (pastelaria-confeitaria). Avancei um pouco no estudo da língua, aprendi palavras novas, descobri em quais pontos devo melhorar minha pronúncia (que, segundo dizem, é bastante boa), mas isso não foi tudo.
Ela, além de professora de croata, é socióloga. Agora lembrem que estamos falando de uma língua eslava na península balcânica, esse caldeirão de culturas, religiões e pólvora. A história dos Bálcãs pede, implora por discussões sociológicas! Imaginem o quão rica pode ser qualquer conversa entre pessoas que têm a mente aberta e se interessam por esses fenômenos, desde conversas de boteco (ou de "kafić", o correspondente aproximado em Zagreb) até esboços de dissertações. Ainda por cima, ela morou no México, tem um conhecimento e um interesse incríveis sobre a América Latina. Talvez eu tenha falado mais do nosso país que ela do dela, mas não é tudo uma troca?
As aulas tiveram complementos inesperados: fui apresentado a doces típicos em mais de uma "slastičarnica" do centro de Zagreb e fizemos até mesmo uma visita a um supermercado onde ela me indicou alguns produtos autóctones da Croácia.
No final, um "licitar". O "licitar" é um coração vermelho decorado que é a cara de Zagreb. Diz-se que é tradição oferecer um "licitar" como símbolo de amizade. Encontram-se estes coraçõezinhos aos montes nas lojas de suvenires.
Pois o meu "licitar" eu não precisei comprar na loja, entre chaveiros e cartões-postais. O meu "licitar" eu ganhei de presente da minha professora, no último dia de aula, e vocês sabem o quanto é especial ganhar um presente assim.
Muito obrigado, professora, pelas aulas, pela conversa, pela amizade, pelo "licitar". Zagreb fica tendo, para mim, o teu rosto e o rosto de todos que conheci na cidade. Afinal, são as pessoas que dão cor às viagens, aos lugares, à vida.

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